«A qualidade dos vinhos da Beira Interior está muito alta»
16-07-2022
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«A qualidade dos vinhos da Beira Interior está muito alta»

P – Terminou o XVº Concurso de Vinhos da Beira Interior, pode-se dizer que o vinho produzido na região está cada vez melhor? O que destaca desta edição? R – O balanço é francamente positivo. Tivemos cerca de 30 produtores a concorrer e o “feedback” que tive dos jurados – oito senhoras e oito homens – foi que a qualidade geral dos vinhos da Beira Interior está muito alta. Isso para nós, enquanto instituição, é o mais importante.P – Como têm evoluído as pontuações do júri nestes últimos anos? R – Estes concursos têm nas suas regras que os vinhos medalhados só poderão ser 30 por cento do número de amostras em concurso (são as regras da OIV). Se assim não fosse havia seguramente mais vinhos medalhados.P – Quinze anos depois, que balanço faz deste concurso?R – Nestes quinze anos a região fez um trajeto extraordinário e esse mesmo percurso deve-se sobretudo aos nossos associados, que são a razão de ser da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior. Neste período a região cresceu de uma forma exponencial, tanto em termos de novos operadores, como qualitativamente. A realização destes concursos foi fundamental para a afirmação da Beira Interior, que, na altura, era quase desconhecida no panorama nacional. Hoje já há um reconhecimento e uma notoriedade dos nossos vinhos incomparavelmente maior que há 15 anos. Quero aqui deixar, por isso, uma palavra de reconhecimento ao NERGA que foi muito importante na realização dos primeiros eventos e que nos ajudou a projetar a região em termos regionais e nacionais.P – Quais são os efeitos da inflação e da Guerra na Ucrânia no setor?R – Obviamente que a conjuntura é difícil, os preços subiram de uma forma avassaladora e os mercados da Rússia e da Ucrânia fecharam, o que faz com que vinhos que estariam para serem vendidos nesses mercados terão de encontrar novos destinos e isso, naturalmente, cria uma pressão acrescida na distribuição. O que tentamos fazer, nas situações em que podemos intervir, é procurar novos mercados. Exemplo disso são missões inversas com importadores (México, Colômbia, Polónia, Luxemburgo, Bélgica, etc.) que estamos a preparar para que os nossos associados tenham outros mercados para venderem os seus vinhos.P – A Rota dos Vinhos da Beira Interior continua a crescer, qual é o ponto da situação neste momento?R – Felizmente, e apesar da conjuntura – primeiro a pandemia e agora a guerra na Ucrânia – temos vindo a conseguir ter mais municípios connosco neste projeto de promoção territorial que é importantíssimo para complementar o rendimento dos nossos produtores. Temos participado em feiras nacionais e ibéricas dedicadas ao enoturismo, temos parcerias com outras regiões do Centro de Portugal, com o apoio do Turismo do Centro, e parcerias também com as Aldeias Históricas de Portugal, com restaurantes, unidades hoteleiras e naturalmente as adegas dos nossos produtores. Temos ainda uma loja física na sede da Comissão Vitivinícola, para além de uma loja online.P – O primeiro “Guarda Wine Fest” acontece este fim de semana, quais são as expetativas?R – As expetativas são as melhores! Esta parceria entre o município da Guarda, ao qual muito agradecemos a possibilidade de realizarmos em conjunto este evento, e a CVR da Beira Interior vai certamente resultar num evento que queremos que seja uma referência no Verão na nossa região e dessa forma dar a oportunidade às pessoas e aos muitos enoturistas que esperamos receber nesse fim de semana de degustarem e até adquirirem vinhos da Beira Interior e das regiões vizinhas do Dão e do Douro. Também será seguramente uma excelente oportunidade para os nossos emigrantes, que começam a chegar de férias, poderem provar o que de melhor se produz na nossa terra. Eles, seguramente, quererão levar um pouco da nossa região e nada melhor do que uma garrafa de vinho, que simboliza muito mais do que uma bebida. Significa levar um pouco do mosso “terroir”, que mais não é que os aromas e sabores, o saber, o clima, a terra, em suma, levarem um pouco da região para matar saudades.   RODOLFO QUEIRÓSPresidente da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior Idade: 48 anos Naturalidade: Marco de Canaveses Profissão: Engenheiro agrónomo Currículo: Licenciado em Engenharia Agrícola pela Escola Superior Agrária de Viseu, com uma Pós-Graduação em Marketing de Vinhos pela Escola Superior Agrária de Ponte de Lima; Detentor do Nível 3 pela Escola Britânica Wine & Spirit Education Trust (WSET); Coordenador da Pós-Graduação em Enoturismo no Instituto Politécnico da Guarda; Vice-presidente da Associação das Rotas de Vinhos de Portugal; Formador na área do Curso de Escanção (Atlas do mundo dos vinhos) no Turismo de Portugal e de Enogastronomia no Turismo de Portugal; Provador em vários concursos nacionais e internacionais Livro preferido: “Equador”, de Miguel Sousa Tavares Filme preferido: “A Vida é Bela”, de Roberto Benigni Hobbies: Viajar com a família e amigos, praticar algum desporto.   Fonte:https://ointerior.pt/cara-a-cara/a-qualidade-dos-vinhos-da-beira-interior-esta-muito-alta/

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Guarda Wine Fest já começou na Alameda de Santo André
15-07-2022
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Guarda Wine Fest já começou na Alameda de Santo André

A primeira edição do Guarda Wine Fest já arrancou na Alameda de Santo André, na cidade mais alta. Promovido pelo município e pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), o certame tem como objetivo «valorizar o território» juntando 40 produtores da Beira Interior, do Dão e do Douro.   A premissa é que todos «partilham a premissa da altitude». O festival decorre até domingo e conta com provas de vinhos, gastronomia, com a participação dos restaurantes D’sigual Wine House e Pensão Aliança, e concertos do “Guarda in Jazz”. O certame foi inaugurado pela ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, numa cerimónia em que marcaram presença o presidente da CVRBI, Rodolfo Queirós; o presidente da Comissão Vitivinícola Regional do Dão, Arlindo Cunha; e do presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto, Gilberto Igrejas.   Após a cerimónia, Tiago Macena, enólogo beirão e estudante do mais exigente plano internacional de estudos em vinho, o “Master of Wine”, moderou a “Conversa sobre Vinho: Grandes Castas Brancas – Encruzado, Rabigato e Síria”. Esta noite haverá jazz de fusão pelos Indigo Quintet (21h30).   No sábado, as confrarias báquicas, gastronómicas e enogastronómicas convidadas iniciam, pelas 10h45, um desfile entre a Praça Luís de Camões e a Praça do Município com a participação da Banda Filarmónica de Famalicão da Serra, seguindo depois até à Alameda de Santo André.   Pelas 16 horas terão lugar dois “showcookings” com Diogo Rocha, chef do “Mesa de Lemos”, na Quinta de Lemos, em Viseu, distinguido com estrela Michelin. No domingo, entre conversas sobre vinhos e música, a chef Cristina Manso Preto, autora de livros de receituário prático, dinamizará mais uma sessão de “showcooking” (16 horas).   A entrada no “Guarda Wine Fest” é livre, sendo que a participação nas “Conversas” e nas sessões de “showcooking” está sujeita aos lugares disponíveis, avisa a organização. Já o copo oficial do evento custa 4 euros.   Fonte: https://ointerior.pt/sociedade/guarda-wine-fest-ja-comecou-na-alameda-de-santo-andre/

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 “Adega 23, reserva, tinto, 2018” vence 15.º Concurso de Vinhos da Beira Interior
11-07-2022
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“Adega 23, reserva, tinto, 2018” vence 15.º Concurso de Vinhos da Beira Interior

O vinho “Adega 23, reserva, tinto, 2018” recebeu o prémio de Melhor Vinho da Beira Interior do 15.º concurso de vinhos da região, organizado pela Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), que tem sede na Guarda.   “Para além do Melhor Vinho da Beira Interior, o júri do concurso realizado na Guarda, nos dias 27 e 28 de junho, atribuiu ainda o prémio do Melhor Vinho no Feminino, o Prémio de Melhor Imagem, o Prémio de Melhor Imagem no Feminino, 14 medalhas de ouro e 10 medalhas de prata, num total de 84 vinhos a concurso, em representação de 30 associados da região”, referiu a CVRBI numa nota de imprensa hoje enviada à agência Lusa.   O galardão Melhor Vinho no Feminino foi atribuído a “Bodas Reais, branco, 2019”, o prémio de Melhor Imagem a “Quinta do Cardo, branco, 2021” e a distinção Melhor Imagem no Feminino a “Almeida Garrett, tinto, 2018”).   A cerimónia de anúncio dos vencedores e entrega dos prémios atribuídos no âmbito do 15.º Concurso de Vinhos da Beira Interior decorreu no sábado, em Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco, e foi presidida pela ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa.   Na sessão, o presidente da CVRBI da Beira Interior, Rodolfo Queirós, “enalteceu a resiliência dos associados da CVRBI nestes tempos difíceis e parabenizou todos os participantes no concurso, referindo que, com mais esta iniciativa, a notoriedade da Beira Interior saiu reforçada”.   “Reforçou, ainda, a importância deste tipo de eventos para a dinamização da Rota dos Vinhos da Beira Interior”, é salientado.   Por sua vez, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, “salientou a importância do setor vitivinícola para a coesão dos territórios, para a fixação de pessoas e captação de novos investimentos” e também “o papel da Rota dos Vinhos da Beira Interior como elo de ligação” entre o “vasto território da Beira Interior”.   O 15.º concurso de vinhos da Beira Interior, que decorreu no Solar do Vinho da Beira Interior, na cidade mais alta do país, contou com a participação de 84 vinhos tintos, brancos e rosados, vinhos espumantes e vinhos frisantes, “certificados como DOC (Denominação de Origem Controlada) Beira Interior ou como IG (Indicação Geográfica) Terras da Beira, das colheitas efetuadas entre os anos de 1999 a 2020, inclusive”.   O júri do concurso foi presidido pelo crítico de vinhos Aníbal Coutinho e por mais 16 especialistas na área (oito mulheres e oito homens).   O evento foi realizado nos moldes tradicionais de “prova cega”.   A CVRBI abrange as zonas vitivinícolas de Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira, nos distritos de Guarda e de Castelo Branco, que correspondem a uma área de 20 municípios, onde se contabilizam cerca de cinco mil viticultores.   Na área da CVRBI, com perto de 16 mil hectares de vinhas e uma grande variedade de castas (destacando-se as brancas Síria, Arinto e Fonte Cal e as tintas Tinta Roriz, Rufete, Touriga Nacional, Trincadeira e Jaen), existem cerca de 60 produtores de vinho, sendo quatro adegas cooperativas e os restantes produtores particulares.   Fonte: https://noticiasdocentro.pt/adega-23-reserva-tinto-2018-vence-15-o-concurso-de-vinhos-da-beira-interior/

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Guarda Wine Fest: venha brindar aos vinhos de altitude!
05-07-2022
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Guarda Wine Fest: venha brindar aos vinhos de altitude!

A cidade mais alta de Portugal celebra o verão com o Guarda Wine Fest e põe em palco vinho, gastronomia, experiências, concertos na emblemática Alameda de Santo André, entre 15 e 17 de julho.   Um Novo Evento Celebra os Vinhos de Altitude: O Guarda Wine Fest reúne produtores da Beira Interior e das Regiões Demarcadas vizinhas, Dão e Douro, que oferecerão aos visitantes a oportunidade de descobrirem e provarem vinhos únicos, rótulos icónicos e novidades, ao longo de três dias. Em paralelo, há Conversas sobre Vinhos, animadas por convidado como o enólogo Tiago Macena e o Sommelier e membro do painel de prova da Revista de Vinhos, Rodolfo Tristão, para conhecer as singularidades que tornam os terroirs destas regiões tão especiais. Em cima da mesa, estarão temas como os Vinhos de Altitude, a expressão de castas nativas, como Encruzado, Rabigato, Síria e Tinta Roriz, ou a capacidade de guarda dos vinhos portugueses.   Showcookings com Chefs Reconhecidos: A gastronomia também marca presença, seja com os showcookings seja na zona de restauração. De um lado, Cristina Manso Preto, uma das Chefes mais conhecidas dos telespetadores portugueses que conquista com receitas inesperadas e de fácil concretização; do outro lado, Diogo Rocha que deu ao restaurante Mesa de Lemos uma Estrela Michelin, partilhando o desafio comum mostrar a autenticidade impar de produtos autóctones. A zona da restauração oferecerá aos visitantes propostas pensadas para explorar a associação entre vinho e gastronomia, dinamizados por restaurantes bem conhecidos de todos: Alameda, D’sigual Wine House e Pensão Aliança.   O Melhor Jazz para Acompanhar os Melhores Vinhos: Tendo a cidade uma assinalável tradição no Jazz, ao longo dos 3 dias os visitantes serão surpreendidos com animações espontâneas e três concertos intimistas de clássicos intemporais e originais de sonoridade contemporânea. Em cartaz, o jazz inesperado de fusão do Indigo Quintet, os clássicos de swing do norte-americano John Pizzarelli e o contagiante ritmo latino e brasileiro dos Carioca de Limão. Este programa sairá reforçado com atuações do Blue Velvet Trio, das Fanfarras NemFáNemFum e Kaustica e um Swing Station, para um pé de dança. Para ver sem hesitar, o desfile das Confrarias Báquicas Gastronómicas e Enogastronómicas, entre a Praça de Luís de Camões e a Praça do Município, com a participação da Banda Filarmónica de Famalicão da Serra.   INFORMAÇÕES: O Guarda Wine Fest terá entrada livre, ficando a participação nas atividades do programa sujeita aos lugares disponíveis. A degustação de vinhos, nos diferentes expositores, só será possível com a aquisição do copo oficial de provas. Os produtores presentes poderão vender produtos.   Organização: Câmara Municipal da Guarda, Comissão Vitivinícola da Beira Interior, Rota dos Vinhos da Beira Interior   Apoios: Comissão Vitivinícola Regional do Dão, Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto, I.P., Turismo Centro de Portugal   Programa disponível em www.mun-guarda.pt Horários: 15 de julho 18h/24h | 16 de julho 12h/24h | 17 de julho 12h/20h Fonte: https://rr.sapo.pt/artigo/291437/guarda-wine-fest-venha-brindar-aos-vinhos-de-altitude

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Beira Interior: Estes vinhedos vão beber o que a altitude tem de melhor
21-06-2022
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Beira Interior: Estes vinhedos vão beber o que a altitude tem de melhor

Junto à fronteira, e rodeada pelas serras da Estrela, da Marofa e da Malcata, vai florescendo uma região vitivinícola com condições para alcançar cada vez mais reconhecimento. Dentro e fora de portas.   Rodolfo Queirós recebe-nos no Solar do Vinho da Beira Interior, edifício que consegue ser, ele próprio, testemunho da imagem que a região vitivinícola pretende passar para o exterior: um projecto alicerçado na tradição, sem abdicar de um toque de modernidade. O imóvel que alberga a sede da Comissão Vitivinícola Regional da Beira Interior (CVRBI), da qual Rodolfo Queirós é presidente, está localizado junto à muralha e à catedral da Guarda, bem no alto da cidade, fazendo eco da principal marca identitária dos vinhos da região: a altitude.   “É um factor diferenciador na qualidade dos vinhos porque permite ter maturações [da uva] mais lentas. Enquanto em regiões próximas se começa a vindima em Agosto, aqui vindimamos em Outubro”, exalta o presidente da CVRBI.   O clima também ajuda. E até acaba por juntar uma peça preponderante ao puzzle. Ajuda a que a Beira Interior seja uma das regiões “com mais potencial” na área dos vinhos biológicos. “Como a humidade relativa é baixa, não há grandes problemas de doenças nas vinhas”, sustenta, assegurando que a produção de vinho biológico vai ganhando cada vez mais terreno na região que abrange três sub-regiões (Castelo Rodrigo, Pinhel e Cova da Beira) e uma indicação geográfica que se estende por 20 municípios.   Espalhar a imagem da região   “Tem um potencial enorme”, vaticina Rodolfo Queirós, sem esconder que há ainda muito trabalho para fazer, tanto mais porque “a Beira Interior começou mais tarde”, repara, aludindo aos exemplos dos vizinhos do Douro, Dão e Alentejo. Ainda assim, os ventos têm soprado de feição para a região vinícola instalada no interior Centro do país e que conta com cerca de 15 000 hectares de vinha. “A nossa região já vende cerca de 25% para exportação e estamos convictos de que iremos crescer este ano”, destaca o presidente do organismo que tem vindo a trabalhar para melhorar este e outros números.   “Queremos aumentar o número de vinhos certificados e tentar atrair novos produtores para a região”, nota, admitindo que também importa continuar a promover a marca vinhos da Beira Interior. A criação da Rota dos Vinhos da Beira Interior veio dar uma ajuda, juntamente com a abertura de uma loja física (no Solar do Vinho) e outra online dedicada aos produtores locais. O objectivo destas lojas passa por “espalhar a imagem da região no país e lá fora”, argumenta Rodolfo Queirós.   É disso que a Beira Interior precisa, passar a ser conhecida. Tudo o resto já lá está, assegura José Almeida Garrett, líder daquela que é uma das principais adegas da região: a Almeida Garrett Wines. “A Beira Interior tem tradicionalmente vinhos muito interessantes, só fica atrás por ser menos conhecida”, destaca o representante da família descendente do escritor Almeida Garrett e que ali começou a produzir vinho em 1856 – é o produtor mais antigo da região. “Tem as castas autóctones que nos permitem ter vinhos diferentes, a par com outras castas nacionais e internacionais”, refere, recordando que foi o seu avô, há mais de 100 anos, quem trouxe as primeiras varas da casta Chardonnay para a região.   Actualmente, a Almeida Garrett Wines conta com 44 hectares de vinha no município da Covilhã (Cova da Beira) e tem vindo a apostar também no enoturismo – através da própria adega e também de uma unidade de alojamento –, ciente de que essa vertente tem um papel preponderante na afirmação e promoção da região. “E as coisas têm vindo a andar. No início, éramos poucos produtores engarrafadores na região – basicamente só nós e a Quinta do Cardo – e hoje em dia já temos muitos”, nota José Almeida Garrett.   O chão que viu nascer o Beyra   Outro dos produtores que mais têm contribuído para a afirmação dos vinhos da Beira Interior é Rui Roboredo Madeira, que já parecia destinado a investir nas vinhas da Beira, não obstante ter começado pelo Douro. Estávamos na década de 1980 e Rui tinha vindo para a região de onde a sua família era originária para recuperar de um acidente de viação. Foi desafiado por um amigo a participar numa vindima na Vermiosa, em Figueira de Castelo Rodrigo, longe de imaginar que tal experiência lhe ia mudar a vida. “Ficou o bichinho e decidi ir para Enologia, em Vila Real, mas nunca mais me lembrei da Beira Interior”, recorda. Em 2010, a Beira Interior foi ao seu encontro. “Fui contactado pelo dono da adega da Vermiosa a dizer que queria vender a propriedade”, conta. Pensou, fez contas, pediu um empréstimo ao banco, e deu início à aventura do Beyra, precisamente no mesmo local onde, mais de 20 anos antes, tinha despertado para o mundo dos vinhos.   “O Beyra veio do zero”, faz questão de vincar, recordando os esforços e alterações que teve de começar a fazer, nas vinhas e na adega, para chegar aos vinhos que ambicionava. “Comecei a mudar a filosofia, inclusive as uvas. Tenho tido aqui um grande trabalho de experimentação”, conta, dando o exemplo da sua experiência com a Touriga Nacional, que apesar de ter bons créditos por aquelas bandas, está longe de o convencer. “É uma casta que pode ser um pouco um vintage da zona, nem todos os anos funciona bem”, avalia.   As experiências que tem feito questão de levar por diante na Vermiosa levam-no a confessar que a Síria, uma das duas castas (brancas) identitárias da região, também não está entre as suas uvas brancas favoritas – “é uma casta que perde acidez, que é fundamental nos brancos” –, contrariamente ao que acontece com a Fonte Cal. “Por mais que experimente, mudando a levedura, mudando a vinificação, esta casta da Beira Interior mantém sempre uma identidade muito grande. Vinhos muito encorpados, com uma grande estrutura”, exalta o produtor que, neste momento, já conta com 48,4 hectares de vinha na Beira Interior.   Rui Madeira é peremptório a afirmar o quanto acredita nesta região. “A Beira Interior tem um potencial enorme”, sublinha, antes de nos dar a conhecer os números que falam por si. “Em 2019, a denominação Douro representava 77% do meu negócio e a Beira 22%. Em 2021, a Beira subiu para 30% e Douro desceu para 69%”, testemunha o produtor que ambiciona, a médio e longo prazo, produzir “um milhão de garrafas na Beira Interior com um bom preço médio”.   Ressuscitar castas “praticamente extintas”   Outro enólogo que está intimamente ligado à região da Beira Interior é Virgílio Loureiro, académico e grande especialista em vinhos. Nascido nas beiras – ainda que “do outro lado da serra, em Viseu” –, passou a ter relação directa com a Beira Interior a partir de 2000, quando foi desafiado a fazer os vinhos da Quinta dos Termos. “Uma aventura que continua a ser muito gratificante”, faz questão de vincar.   Virgílio Loureiro acredita piamente na singularidade dos vinhos da Beira Interior, marcada pela continentalidade, pela altitude e também pela diversidade de terroirs. “Vinifico uvas da Quinta dos Termos no chamado campo albicastrense e também em Pinhel, e a mesma casta chega a apresentar um mês de diferença de maturação entre um e outro”, exemplifica.   Fã confesso das castas identitárias da região – além da Síria e da Fonte Cal, tem também a tinta Rufete –, Virgílio Loureiro diz que até gostaria de “ressuscitar castas que estão praticamente extintas”. “Estou a lembrar-me da Folha de Figueira, do Casculho, uma série de castas que hoje praticamente ninguém conhece, mas que ainda aparecem nas vinhas velhas”, conta, argumentando que “seria muito mais importante fazer esse trabalho do que estar a importar as castas francesas para a Beira Interior”. A esse propósito, adverte: “Esta é a pior maneira para trabalhar o vinho da Beira Interior. Porque estamos a fazer cópias e, qualquer cópia, por melhor que seja, é sempre prior do que o original.”   Fonte: https://www.publico.pt/2022/06/21/fugas/reportagem/beira-interior-vinhedos-vao-beber-altitude-melhor-2010437

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No melhor restaurante da Beira Interior não há plásticos e 80% dos produtos são sazonais e endógenos
28-02-2022
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No melhor restaurante da Beira Interior não há plásticos e 80% dos produtos são sazonais e endógenos

O restaurante Alkimya, na Covilhã, foi o grande vencedor da segunda edição do Beira Interior Gourmet. Pela primeira vez foi atribuído o Prémio Chef Valdir Lubave.   O restaurante Alkimya foi o grande vencedor da segunda edição do concurso Beira Interior Gourmet. A distinção de “Melhor Restaurante” foi conquistada graças ao menu especialmente preparado para esta competição. “Massa mãe, faisão e cenoura assada”, acompanhada com “Almeida Garrett Beira Interior DOC, Chardonnay, Branco 2019” (entrada), “Bacalhau, texturas de grão e ovo”, na companhia de “Talabara 2016 Beira Interior DOC, Premium Edition, Tinto 2011” (prato principal), e “Cerejas da Beira, queijo de ovelha biológico e frutos secos” servidos com “Beira, Beira Interior DOC, Moscatel Galego, Branco 2019” (sobremesa) foram os pratos e respetivas harmonizações do restaurante da Covilhã. Com estas propostas, o Alkimya bateu dezenas de outros restaurantes da região, que participaram neste concurso promovido pela Comissão Vitivinícola da Beira Interior.   Refira-se que o restaurante Alkimya (Avenida Frei Heitor Pinto, 1, Covilhã. Tel. 275 334 174) foi recentemente objeto de alterações, oferecendo agora um ambiente mais moderno e uma ementa renovada, onde 80% da matéria-prima utilizada na cozinha é sazonal e oriunda da Cova da Beira, numa assumida “aposta nos produtos endógenos e nos produtores locais”. Em nome do futuro, o espaço aboliu, igualmente, o uso de plásticos. Com diversos pratos vegetarianos, na ementa do restaurante destacam-se o “Escabeche de truta” (€9), com tostas de massa mãe, “Ensopado de borrego biológico” (€18,50) e a “A nossa tarte de faisão” (€18), um desfiado de faisão, com castanhas e puré de cherovia gratinado. Existem dois menus de degustação (desde €45), com a possibilidade de harmonização com vinhos exclusivamente da região da Beira Interior.   Nesta segunda edição do concurso Beira Interior Gourmet, o Convento de Belmonte foi distinguido como “Melhor Espaço”, enquanto a “Melhor Carta de Vinhos” foi apresentada pelo “Nobre Vinhos e Tal” na Guarda. O vencedor da primeira edição, o restaurante “Colmeia”, também na cidade da Guarda, venceu na categoria “Melhor Serviço de Vinhos”, cabendo ao restaurante Alquimia do H2otel Congress & Medical SPA, em Unhais da Serra, o troféu de “Melhor Entrada” com um “Consomé de perdiz clarificado, choux de foie gras e cogumelos em manteiga noisette”, levado à mesa com vinho “Casas Altas Beira Interior DOC, Chardonnay Branco”.   Na categoria “Melhor Prato”, o prémio foi para a Adega dos Apalaches, em Oleiros, com o “Cabrito estonado de Oleiros”. O vinho selecionado para este prato foi o “Almeida Garrett Beira Interior DOC, seleta, Tinto 2015”. A Taverna da Matilde, em Figueira de Castelo Rodrigo, ficou com a distinção de “Melhor Sobremesa”, graças à “Tarte de Gravanços com gelado de amêndoa”, harmonizada com “Quinta da Biaia, Beira Interior DOC, Late Harverest, Síria Branco 2017”.   O júri decidiu ainda atribuir o prémio de “Melhor Harmonização Vinho e Comida” ao restaurante Soadro do Zêzere, em Valhelhas, que foi a concurso com “Figos assados, queijo de cabra, Jaen e amêndoas” na companhia do vinho “BI Anselmo Mendes, Beira Interior DOC, Branco 2017”; e “Cabidela de galinha do campo” com “Quinta dos Termos Beira Interior DOC, Talhão da Serra, Reserva Rufete 2017”. O menu terminava com a sobremesa “Leite-creme queimado e mirtilos da ratoeira” harmonizado com “Quinta da Biaia, Beira Interior DOC, Late Harvest, Síria branco 2017”.   Na entrega de prémios da segunda edição do concurso Beira Interior Gourmet, organizada pela Comissão Vitivinícola da Beira Interior, que pela primeira vez se estendeu a restaurantes fora da região, foram galardoados, com o Prémio Chef Valdir Lubave, os chefs Mário Rui Ramos, de Idanha-a-Nova, e Júlio Fernandes do restaurante D’Bacalhau, em Lisboa. Esta distinção especial, que presta homenagem ao chef brasileiro falecido em 2021, visa premiar profissionais que corporizam o seu legado cultural e culinário, em especial na valorização dos recursos micológicos.

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A CVR BI é responsável pela certificação, controlo e promoção dos produtos vínicos com direito à Denominação de Origem Beira Interior e IG Terras da Beira.

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